top of page

Uma reflexão sobre a alergia alimentar na infância e na adolescência

  • 6 de mai.
  • 3 min de leitura

No mês de maio é celebrada a Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar com o objetivo de conscientizar, aumentar a segurança alimentar/de vida e a inclusão dos pacientes. Este assunto ainda é de desconhecimento ou de falta de informação correta para muitos. Embora, a alimentação faça parte do cotidiano da vida de todas as pessoas e em todas as situações: na família, na escola, no trabalho, no hospital e em atividades de lazer (festas, hotéis, piqueniques no parque).


Pela seriedade do assunto e por ser um tema do qual acompanho de perto na minha vida pessoal e na minha atuação clínica, resolvi trazer aqui. Já acompanhei crianças, adolescentes e adultos (pacientes ou mães/pais de pacientes) cujo tema mobilizador na busca pela terapia foi a alergia alimentar e os impactos emocionais/sociais vividos.

A alergia alimentar é uma condição de saúde que pode ser grave e potencialmente fatal dependendo do quadro clínico. Além disso, a alegria alimentar tem um impacto significativo na sensação de pertencimento social, uma vez que a alimentação é para além de uma necessidade biológica, pois diz da identidade, da construção social e da diversidade cultural. Somado ao fato de a comensalidade unir pessoas e reforçar laços sociais trazendo a sensação de pertencimento, o que nem sempre pode ser experienciado por pessoas com alergia alimentar.


A alimentação está presente em diversos momentos e contextos do ambiente escolar como datas comemorativas, na hora do lanche e em atividades pedagógicas dentro e fora da escola reforçando o quanto compreender e abordar o tema da alergia alimentar no âmbito escolar se faz fundamental pelos riscos iminentes e para a inclusão.

A criança e o adolescente com alergia alimentar acabam por vivenciar, muitas vezes, a exclusão, o bullying e o julgamento social, por falta de informação e por falta de atividades que promovam a inclusão. Somado a isso, podem vivenciar o medo da morte se já passaram por um quadro de anafilaxia anteriormente, por ser uma experiência traumática de grande impacto emocional o que acarreta ansiedade e insegurança em vivências que envolvem alimentos. Soma-se o fato da criança ou do adolescente com alergia alimentar ter acompanhamento médico regular e, muitas vezes, ser submetido aos TPOs (Testes de Provocação Oral) impactando a saúde emocional, a rotina escolar e a rotina familiar.


A alergia alimentar atravessa de forma objetiva e subjetiva a vida da pessoa. Do ponto de vista emocional a sensação de não pertencimento e falas como “é frescura”, “não deve ser tão grave assim”, “agora quer que o mundo mude por causa da sua alergia”, “vai coçar e logo passa” vão construindo o imaginário da pessoa com alergia a respeito de si e do seu lugar naquela dinâmica, naquele grupo.

É importante conhecer o tema das alergias alimentares do ponto de vista legal; técnico para a gestão de riscos/planos de ação, e pedagógicos para medidas seguras, preventivas e inclusivas no ambiente escolar.


O diálogo dentro da comunidade escolar (coordenação, professores, equipe de nutrição demais colaboradores, crianças/adolescente e famílias) é imprescindível. Assim, como a discussão mais ampla do ponto de vista social, se pensarmos de que forma podemos impactar positiva ou negativamente a experiência de quem tem alergia alimentar. Ponto importante a ser considerado, também, pelos serviços e comércios (padarias, restaurantes, hotéis, clubes, etc).


Por fim, é fundamental a ampliação da obrigatoriedade da descrição dos ingredientes em produtos que não estão incluídos na legislação vigente, como os cardápios de restaurantes. E, a aprovação da inclusão da adrenalina autoinjetável na lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que essa medicação, atualmente no Brasil, só pode ser adquirida via importação com a aprovação da Anvisa e num custo elevado. Estes temas têm sido discutidos em diversos âmbitos e você pode consultar o site da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (https://asbai.org.br/)  para mais informações e atualizações sobre o tema aqui exposto.

 
 
 

Comentários


Atendo em consultório particular, de forma presencial e online, oferecendo um espaço ético, sigiloso e acolhedor para quem deseja iniciar um processo terapêutico.

Rua Pedro de Toledo, nº 980

São Paulo - SP

Marina de Castro  |  Psicóloga Clínica  |  CRP 06/84838.

Agendar atendimento
bottom of page