A clínica e a interculturalidade: Migrantes, Imigrantes e Expatriados
- 21 de abr.
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Atualizado: 27 de abr.

A experiência de habitar é a primeira marca da existência humana. Antes de descobrirmos o mundo, habitamos o útero, depois a casa, a língua e a cultura. Por isso, quando um indivíduo muda de estado ou cruza uma fronteira, ele precisa deslocar todo o seu fundamento de existência. O choque cultural não é apenas social, é uma colisão psíquica que gera um processo profundo de reconstrução da identidade.
No consultório tenho atendido pacientes que vieram de outros países para estudar e/ou trabalhar no Brasil; pacientes brasileiros que pela dinâmica profissional- deles ou de um familiar- precisam mudar com frequência de estado ou mudar para outro país e têm, também, os que mudaram de país em busca de outras possibilidades de vida.
A experiência de mudar de país é atravessada pelas particularidades culturais, sociais, linguísticas, climáticas, de morada. Além, da formação de novos vínculos, do medo do porvir, das expectativas e projeções sobre o novo ciclo, do imaginário social dos que ficam acerca da vida em outro país, do deixar dedes objetos pessoais a forma como se reconhece pertencendo a um meio. Soma-se o precisar, muitas vezes, acolher e procurar ajudar a dar sentido a mudança para àqueles que não a escolheram (companheiro e/ou filhos), entre tantos outros atravessamentos.
O atendimento clínico leva em conta o contexto social e a alteridade olhando para o impacto da xenofobia e do isolamento cultural na saúde mental, experiência que infelizmente não é incomum.
Na clínica é acolher e trabalhar as transformações que o processo de expatriação provoca na autoimagem e na identidade, os efeitos que esse processo de desconstrução-reconstrução do eu têm sobre a adaptação ao país de destino e posterior readaptação ao país de origem, em algumas situações.
Por vezes, esse fenômeno gera um "não-lugar", uma vez que o indivíduo pode vir a sentir que não pertence mais ao país de origem, mas também não habita plenamente o país atual. Na repatriação é apoiar o retorno ao país de origem, pois o retorno já não é para o mesmo lugar (ainda que seja o mesmo espacialmente) pelas transformações vividas no grupo em que pertencia/pertence e por ter vivido experiências que trazem um outro olhar sobre si e sobre o grupo.
Nem toda pessoa precisa de acompanhamento psicológico nesse processo de migração/imigração/expatriação/repatriação. Mas, já outras identificam a necessidade no processo de tomada de decisão, algumas durante o início dessa nova jornada e algumas anos após a mudança quando uma vivência específica mobiliza essa busca como o luto de um ente querido que ficou no país de origem, a dificuldade de adaptação dos filhos ou cônjuges na nova morada, etc. Poder ouvir-se e buscar pelo acompanhamento psicológico nem sempre é simples do ponto de vista subjetivo e objetivo como o ter acesso a um profissional que atue na área e possa oferecer horários compatíveis com o fuso horário de onde se está. Se esse for seu caso, me envia uma mensagem e marcamos um primeiro acolhimento.



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